ZONA PREVIAMENTE DEMARCADA EMBORA NÃO SE LHE CONHEÇAM OS SEUS LIMITES
PISTA DE DIMENSÕES DESCONHECIDAS NA QUAL OS SEUS INTERVENIENTES POSSUEM UMA FUNÇÃO EMBORA NÃO ESTEJA ESCLARECIDO SE SE ENCONTRAM NO ACTIVO OU COM PEQUENAS REMINISCÊNCIAS DE FUNÇÕES ANTERIORES

JULES LÉOTARD: Homem-foguete morte no céu

A actuação descrita no reputado jornal parisiense Galignani´s Messenger, e trancrita no New York Times reporta-se ao debute (12 Nov 1859) revolucionário de Jules Léotard como trapezista no Cirque Napoléon (porque inaugurado por Napoleão Bonaparte), que ainda hoje existe em Paris sob o nome de Cirque d´Hiver.

O número em causa, inaugurou a modalidade de trapézio voador com acrobacias nunca antes realizadas - salto mortal em pleno voo e passagem entre trapézios. Ao 12º minuto, após voos cruzados entre os 3 trapézios, o jovem Léotard findava a sua actuação com um mortal em direcção ao tapete de segurança. Segurança relativíssima de uns meros colchões colocados no chão. Léotard treinava os seus números num trapézio suspenso sobre uma piscina instalada no ginásio de seu pai, professor de ginástica. A primeira rede viria a ser utilizada apenas em 1871 por uma troupe espanhola, The Rizarellis, no Holborn Empire.

Para Léotard estavam destinados estudos de Direito, augúrio que terá gorado por volta dos seus 18 anos ao experimentar um trapézio de barras, cordas e argolas. Por esta altura Léotard já desenvolvera habilmente a sua ginástica.
Em maio de 1861, o número de circo de Léotard passa a performance de Music Hall, arrastando milhares de pessoas a Leicester Square, em Londres. Jantava-se no Alhambra Theatre, enquanto Léotard voava, literalmente, de trapézio para trapézio sobre as cabeças dos convivas.
No Ashburnham Hall em Cremorne, Léotard utilizou 5 trapézios em simultâneo, alcançando cada um deles através de saltos mortais.

He’d fly through the air with the greatest of ease,

A daring young man on the flying trapeze.

His movements were graceful, all girls he could please,

And my love he purloined away
.

assim celebrou George Leybourne os feitos de Léotard na canção "The Daring Young Man on the Flying Trapeze"

Pouco antes da chegada de Léotard a Inglaterra, o artigo seguinte aparecia no Era de 19 de Maio de 1861:

O que dizer das maravilhosas façanhas de um homem que parece ter concretizado o inconcebível prodígio de superar as leis das forças excêntricas e concêntricas, que desafia a lei da gravidade, que paira no ar como um pássaro, parecendo ter asas pela elasticidade da sua musculatura... Para os feitos de Léotard é preciso ver para crer. O fenómeno Léotard, não tem precedentes, alcançou Paris, Viena, São Petersburgo e Berlim; o cognome Flying Man é unânime. Embora não existindo qualquer exagero nestas descrições, é plausível que delas se duvide, felizmente em breve poderemos comprová-las por nós mesmos, já que a enorme publicidade feita nos jornais da manhã e os numerosos posters afixados por toda a Londres nos informam que Léotard actuará no Alhambra e seguidamente no Cremorne.

Após a sua actuação de 26 de Maio de 1861:

Nenhuma descrição se pode aproximar ao que realizou durante excitante e intensa meia hora. Literalmente se arremessa no ar a uma enorme altitude, rodopia e segue, agarra-se por breves segundos à barra do trapézio para depois se projectar 20 pés em direcção ao trapézio seguinte, onde se segura pelos pés voltando-se depois num mortal à rectaguarda voando até ao ponto de onde partira. O balanço alcançado pelas cordas aliado à sua investida oscilação corporal, desenham o seu progresso no espaço. Nunca antes se vira tal coisa em Inglaterra... Para todos os que anseiam novas sensações, poderão estar certos de que a actuação do Alhambra no que respeita a provas de coragem física, superou qualquer coisa que pudessem ter visto. Decididamente esta é uma das performances que jamais será esquecida.
Assim aparece descrito no Victorian Sensation de Michael Diamond, provavelmente no capítulo Stars of Entertainment.

Casou-se em Londres, durante o estio de 1862. Segundo o registo de casamento de Jean Marie Jules Léotard, amigos e familiares não terão presenciado a união. O matrimónio não correu bem, reporta The Bayswater Chronicle de 10 Dezembro de 1864:

A esposa de Léotard, uma performer italiana, que se auto intitula de Madame Silvia Bernini colocou uma acção contra o seu marido clamando por separação, o que confirma que o casamento poderá vir a ser anulado. O casal tinha-se casado em Londres a Julho de 1862.

Jules Léotard morreu por Espanha, em tournée, com 28 anos no ano de 1870, não se sabe se devido a cólera ou varíola.